Opinião

Bloco de Notas

  1. Quando o rosa virou tática de guerra (de marketing)

Basta olhar para os gramados da Copa do Mundo de 2026 para perceber uma curiosa unanimidade: quase todo mundo está calçando a mesma cor. Nos campos dos Estados Unidos, México e Canadá, um mar de chuteiras rosas tomou conta dos pés dos jogadores já nas primeiras rodadas do torneio — o ápice simbólico ficou por conta da partida entre Coreia do Sul e República Tcheca, em que os dez jogadores de linha titulares da seleção asiática entraram em campo com o mesmo modelo rosa-choque nos pés, como se tivessem combinado no vestiário coletivo do planeta.

Não é coincidência, tampouco combinação entre atletas vaidosos. É estratégia de mercado, e das mais calculadas. Nike, Adidas, Puma e New Balance lançaram, de forma independente — mas quase simultânea —, coleções para o Mundial com paletas centradas em variações de rosa vibrante. Um integrante da equipe global de desenvolvimento de chuteiras da Nike explicou ao jornal The Athletic que a escolha veio de pesquisas com atletas e consumidores: cores vibrantes, dizem eles, transmitem confiança em grandes competições, e o rosa seria uma das campeãs nesse quesito psicológico.

Há também uma explicação mais prosaica, e bem mais convincente: estudos internos indicam que o rosa se destaca sobre o gramado verde mais do que qualquer outra cor, tanto para quem está nas arquibancadas quanto para quem assiste pela TV. Em um torneio acompanhado por bilhões de espectadores, esse contraste vale ouro publicitário — e como nenhuma das 48 seleções usa o rosa como cor predominante no uniforme, o efeito de “moldura” em torno do calçado fica ainda mais evidente. A IA do marketing global, ao que parece, sonhou em rosa simultaneamente em quatro continentes. Coincidência? A WGSN já havia apostado no fúcsia como cor do verão de 2026 desde 2024. Definitivamente, não.

  1. Woody, a calvície e o ingresso da nostalgia

Mais de 30 anos depois do primeiro Toy Story (1995), o quinto filme da franquia chega aos cinemas com uma novidade capilar: Woody aparece calvo. A rede Cinesystem, sempre atenta a uma boa tirada de marketing, decidiu transformar a careca do caubói em oportunidade comercial — e batizou a iniciativa de promoção para quem também perdeu a guerra contra o tempo (e os fios de cabelo).

Na próxima segunda-feira, dia 22 de junho, pessoas com calvície aparente — total ou parcial — poderão assistir a Toy Story 5 de graça em qualquer unidade participante da rede, mediante apresentação de documento com foto e validação presencial na bilheteria. Um ingresso por CPF, sujeito à disponibilidade de assentos, sem acúmulo com outros benefícios. A simbologia é precisa: assim como Woody, a geração que viu o primeiro filme no cinema há três décadas hoje também enxerga o espelho com outros olhos — e menos fios.

A trama, aliás, é mais do que pretexto para a promoção: o longa aborda o impacto da tecnologia na infância, com a vaqueira Jessie liderando a missão de resgatar as crianças do vício em telas e devolvê-las aos brinquedos tradicionais. Uma mensagem nobre, ironicamente anunciada por uma rede de cinemas através das próprias redes sociais. A vida imita a arte, que imita a vida, que está cada vez mais careca.

  1. Lula em Évian: o convidado que ninguém viu

Houve um tempo em que diplomacia significava algo mais do que aparecer na foto. O presidente Lula, que pediu para participar do encontro do G7 — afinal, o Brasil não integra o grupo das sete maiores economias ocidentais —, foi tratado em Évian-les-Bains, na França, com a cortesia reservada a quem chegou sem ser convidado para a festa, mas insistiu em entrar pelos fundos.

Segundo relatos sigilosos de três servidores e diplomatas presentes, o anfitrião do encontro, o presidente francês Emmanuel Macron, precisou explicar aos colegas Donald Trump (EUA) e Sanae Takaichi (primeira-ministra do Japão) quem era aquele homem e o que ele fazia ali. Trump, daqueles que não disfarçam o desinteresse, sequer correspondeu à tentativa de aperto de mão para a foto oficial — Lula acabou conduzido por um funcionário até a outra ponta do grupo para garantir, ao menos, o registro de presença.

O episódio resume bem o tipo de protagonismo internacional que o Brasil tem exercido sob a atual gestão: mais como nota de rodapé simpática a regimes que o Ocidente trata com desconfiança — Rússia, Irã, Venezuela — do que como interlocutor relevante entre as grandes potências. A economia brasileira merece respeito. O problema é que, ultimamente, quem fala por ela nos grandes fóruns colhe risos amarelos em vez de assento à mesa.

  1. Made in USA: a condenação que virou crise diplomática

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal condenou o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro a quatro anos de prisão em regime semiaberto, com inelegibilidade, pelo crime de coação no curso do processo. A Procuradoria-Geral da República sustentou que ele teria colaborado, por meio de declarações públicas e postagens em redes sociais, para que o governo americano impusesse sanções a autoridades brasileiras — entre elas, o relator do próprio caso, o ministro Alexandre de Moraes.

Do outro lado do Atlântico, a leitura é diametralmente oposta. Um porta-voz do Departamento de Estado americano afirmou à Reuters que a condenação é vista pelos Estados Unidos como perseguição política, parte de um “padrão de perseguição e guerra jurídica” do Judiciário brasileiro contra a oposição. Para Washington, debates políticos deveriam ser resolvidos nas urnas — não em sentenças.

O próprio Donald Trump comentou o caso durante a cúpula do G7, classificando o Brasil como um país que se tornou “um pouco conturbado” e “perigoso politicamente”. A frase, dita por quem ironicamente já tinha colocado o Brasil em segundo plano horas antes (vide nota acima), soa menos a diagnóstico espontâneo e mais a constatação de quem já vinha observando de longe.

Não à toa, o secretário de Estado Marco Rubio, ao listar os aliados americanos na América Latina, simplesmente deixou o Brasil de fora da lista. Quando se briga com todo mundo ao mesmo tempo, alguém sempre acaba ficando sem convite.

  1. Hollywood entra na queda de braço brasileira

Enquanto a política tupiniquim discute condenações e sanções, Hollywood — ou pelo menos a sua ala mais conservadora — decidiu colocar as mãos no imaginário político brasileiro. “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro centrada no atentado que ele sofreu em Juiz de Fora durante a campanha de 2018, teve pré-estreia mundial em Las Vegas, durante o congresso de direita “Fraud-Fighter Summit”.

Dirigido por Cyrus Nowrasteh e estrelado por Jim Caviezel — ator que já encarnou outras figuras de apelo quase messiânico no cinema americano —, o filme arrancou elogios efusivos de quem assistiu: “épico”, “excepcional”, “histórico”.

O influenciador e ex-fuzileiro naval americano Michael Jaco, presente no evento, declarou que pretende assistir à obra “mais duas ou três vezes” e chegou a sugerir que o filme pode influenciar as eleições legislativas americanas, já que chega aos cinemas dos EUA em 11 de setembro — antes do pleito. No Brasil, segue sem data de estreia confirmada.

  1. Joaquim Barbosa e a candidatura que ninguém pediu (ou esperava)

Quem achava que a pré-campanha presidencial de 2026 já tinha personagens suficientes, foi surpreendido pela estreia discreta — mas nada despretensiosa — do ex-ministro do STF Joaquim Barbosa nas redes sociais. Filiado à Democracia Cristã, Barbosa abriu perfis simultâneos em praticamente todas as plataformas disponíveis e, em texto publicado no LinkedIn, deu a entender que pretende disputar “o emprego mais difícil e complexo do nosso país” — sem, no entanto, confirmar a candidatura de forma explícita.

O timing chama atenção: o relator do Mensalão chega para substituir o ex-ministro Aldo Rebelo como pré-candidato do partido, numa espécie de troca de capitão em pleno meio de jogo. Nas sondagens eleitorais mais recentes, Barbosa aparece com pouco mais de 1% das intenções de voto — número que, em condições normais, sugeriria cautela antes de qualquer anúncio. Mas a pré-campanha brasileira de 2026 já provou que pode reservar lugar para qualquer entusiasmo, mesmo quando os números pedem discrição.

Se sobrava algum espaço de ineditismo no cenário eleitoral, ele acaba de ser ocupado.

  1. O DNA baiano do Banco Master chega ao Senado

A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira a nona fase da Operação Compliance Zero, e o alvo principal já diz muito sobre o tamanho da crise: o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo Lula no Senado. A suspeita é grave — recebimento de um imóvel de R$ 2,5 milhões e propinas que somariam R$ 3,5 milhões, repassados por meio de empresa ligada a um familiar, além de eventual atuação parlamentar em favor de interesses do Banco Master, negociada diretamente com o ex-sócio da instituição, Augusto Ferreira Lima.

O enredo, no entanto, não nasceu agora — apenas ganhou capítulo novo. Desde o início das investigações sobre o colapso do Master, já se sabia que parte do DNA financeiro da crise nascia na Bahia. Foi Augusto Lima quem, em 2018, comprou a Empresa Baiana de Alimentos (Ebal), estatal de supermercados privatizada justamente sob a gestão de Jaques Wagner, então secretário de Desenvolvimento Econômico do governo Rui Costa. Naquele mesmo pacote de venda estava o Credcesta, sistema de cartão de crédito consignado para servidores públicos — ativo que, anos depois, quando Augusto Lima se associou a Daniel Vorcaro, foi incorporado ao Banco Master e se tornou um dos seus principais pilares financeiros.

Em outras palavras: a semente do que hoje é uma das maiores crises bancárias e políticas do país foi plantada havia anos, num terreno fértil de privatizações, consignados e relações de proximidade entre poder público e iniciativa privada.

A novidade é que a trama finalmente bateu à porta de um dos nomes mais importantes do governo no Congresso — por determinação do ministro André Mendonça, que segue colhendo desafetos em alta escala.

  1. Arsenal, fuzil e a milícia dentro da própria PF

Se ainda havia dúvida sobre a natureza do esquema que orbita o banqueiro Daniel Vorcaro, ela se dissipa diante do que foi encontrado na casa — e no armário funcional — do policial federal Anderson Wander. Apontado pela própria Polícia Federal como integrante da milícia armada ligada a Vorcaro, Wander foi flagrado com 1,2 mil munições, sendo 182 de fuzil, e cinco armas, das quais apenas uma era regularmente cadastrada como equipamento da corporação.

O detalhe mais inquietante, no entanto, é outro: uma das armas tinha a numeração raspada e nunca havia sido cadastrada junto ao Estado brasileiro — ou seja, uma arma “inexistente”, oficialmente irrastreável, perfeita para qualquer ação criminosa sem risco de vínculo posterior com seu usuário. Tudo isso guardado por um agente que, segundo a própria PF, não atuava em áreas operacionais ou investigativas — apenas usava o distintivo como fachada.

Wander foi detido preventivamente no mês passado, na mesma operação que prendeu o pai de Vorcaro, Henrique Vorcaro, e um primo do banqueiro. Lembremos que, há poucos dias, o ministro Gilmar Mendes votou — e perdeu, por 3 a 1 — pela soltura de Henrique.

Avaliem vocês mesmos a prudência da sugestão: enquanto um policial infiltrado intimidava desafetos do banqueiro com fuzis e armas fantasmas, alguém no STF considerava razoável devolver a liberdade ao pai do principal investigado.

Se isso não é estrutura de crime organizado, definitivamente não sabemos mais o que classificar como tal.

  1. Quando os delegados voltam para casa (bem na hora)

O Ministério da Justiça determinou, em ofícios enviados nesta semana, o retorno de policiais federais cedidos a outros órgãos — entre eles, o gabinete do ministro André Mendonça, no STF. A medida, oficialmente apresentada como reforço ao combate ao crime organizado, foi recebida nos bastidores do Judiciário com bem menos entusiasmo institucional e bem mais desconfiança política.

A razão é simples: Mendonça comanda, justamente, as duas investigações que mais incomodam o entorno do governo — a do Banco Master, que nesta semana resultou em operação contra o líder do governo no Senado, Jaques Wagner, e a do INSS, que avança perigosamente em direção a Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente.

Coincidência de calendário, dirão os mais ingênuos. Em 23 de abril, o próprio Lula já havia admitido publicamente ter determinado o retorno de delegados que, segundo ele, estariam “fingindo trabalhar” fora da corporação — discurso genérico que, na prática, atinge muito particularmente quem investiga gente próxima ao Palácio.

Trata-se de um ministro indicado por Bolsonaro, tratado como incômodo por boa parte do STF e agora também esvaziado em sua estrutura de apoio — justo quando suas investigações mais avançam sobre nomes de peso do PT e do entorno presidencial.

Bem-vindo ao playbook clássico: quando a régua incomoda, corta-se a régua.

  1. A invejinha do brasileiro tupiniquim

Enquanto o Brasil discute condenações, operações e crises bancárias, a vizinha Argentina vem colecionando elogios em duas frentes que, por aqui, costumam ser sinônimo de dor de cabeça crônica: contas públicas e inflação. Segundo análise do Bank of America, o aperto fiscal promovido por Javier Milei, combinado a um desempenho robusto das exportações, está produzindo uma melhora consistente nos fundamentos da economia argentina — um país que, há poucos anos, era sinônimo de ruína após décadas de peronismo expansionista.

O resultado é uma dupla invejinha brasileira, perfeitamente cabível neste período de Copa do Mundo: invejamos o ajuste fiscal que o Milei está conseguindo emplacar sem que o país (ainda) tenha implodido socialmente, e invejamos também — convenhamos — a sorte de ter um Messi para chamar de seu, enquanto por aqui seguimos na eterna busca pelo “novo” alguém que nunca chega.

Entre o equilíbrio das contas públicas e o equilíbrio nas pernas, a Argentina sai na frente nos dois quesitos. Resta ao Brasil seguir torcendo — e, de preferência, copiando o que dá certo.

  1. Festval reforma loja em Curitiba e aposta na experiência completa

Em meio a tanta turbulência política, vale registrar uma notícia do mundo dos negócios que ilustra bem para onde caminha o varejo regional.

O Festval reinaugurou nesta quinta-feira sua unidade da Avenida Anita Garibaldi, no bairro Cabral, em Curitiba, após amplo processo de revitalização: nova fachada, reforma estrutural completa, ampliação do estacionamento e mais de 4 mil novos itens incorporados ao mix de produtos, com destaque para a seção de importados e uma adega que passa a contar com mais de 400 novos rótulos.

A reforma integra o movimento de modernização das lojas incorporadas pela rede após a aquisição da Verde Mais, no final de 2024. Segundo Carlos Beal, diretor comercial e de marketing do Festval, a aposta é clara: o supermercado deixou de ser apenas um ponto de abastecimento e passou a competir também como espaço de experiência, com novidades como o Espaço Gourmet — agora no mezanino, com capacidade para 92 pessoas — e uma cafeteria própria com 21 lugares.

É a confirmação, em escala local, de uma tendência que já se observa nacionalmente: o consumidor não quer apenas preço e variedade, quer também conforto, ambientação e motivo para ficar um pouco mais de tempo dentro da loja.

Convenhamos: depois de uma semana acompanhando operação policial, condenação internacional e crise bancária, um cafezinho na adega renovada do Festval talvez seja exatamente o que o leitor paranaense merece.

  1. O podcast que apertou o play na Guerra Fria

Há quem diga que parte da esquerda brasileira parou no tempo. O jornalista Breno Altman, figura conhecida por posições extravagantes e simpatia declarada por grupos como o Hamas, parece empenhado em provar que essa frase é, na verdade, um elogio modesto à sua própria trajetória.

No podcast “20 Minutos”, veiculado pelo canal do Opera Mundi, Altman conduz entrevistas com ex-presidentes, ministros, parlamentares e lideranças partidárias — gente que efetivamente ocupa cargos e influencia decisões — sob uma lógica curiosa de mundo: o Irã seria hoje a vanguarda da luta antiimperialista global, democracia e fascismo seriam “faces da mesma moeda”, e a esquerda deveria abandonar qualquer conciliação política em nome de um projeto revolucionário rumo ao socialismo. Entre os entrevistados ilustres do programa: Dilma Rousseff, Nicolás Maduro, Evo Morales, José Dirceu e outros nomes que não dispensam apresentações.

O que mais impressiona, contudo, não é exatamente o currículo dos convidados — é a sensação de viajar no tempo a cada episódio. Enquanto o mundo discute inteligência artificial e guerra tecnológica, o “20 Minutos” segue debatendo Lenin, Stalin, Mao e ditadura do proletariado, como se o Muro de Berlim tivesse caído na semana passada — e não décadas atrás.

Filiado ao PT e autodeclarado “judeu antissionista”, Altman já foi denunciado pelo Ministério Público Federal por racismo contra judeus e apologia ao crime, após publicações classificadas como antissemitas pela Confederação Israelita do Brasil. Foi também réu na Lava Jato, mas acabou absolvido por falta de provas.

Resta a pergunta inevitável: quando a nostalgia revolucionária encontra plataforma digital e meio milhão de inscritos, quem está, de fato, fora de sintonia com o seu tempo?

  1. Pizza Hut: a queda do império do molho vermelho

Há ironias que a história adora repetir, e a mais recente delas tem cheiro de massa e calabresa. A Pizza Hut, rede com 68 anos de tradição e dona, por décadas, do posto de maior pizzaria do mundo em vendas, será vendida por US$ 2,7 bilhões pela controladora Yum Brands — fatiada, literalmente, em duas partes: a operação global, vendida à gestora de private equity LongRange Capital por cerca de US$ 1,5 bilhão, e a unidade chinesa, absorvida pela Yum China por aproximadamente US$ 1,2 bilhão.

O telhado vermelho que um dia simbolizou modernidade nos arredores das cidades americanas hoje carrega o peso simbólico do que aconteceu com tantos impérios de varejo: o mundo mudou de hábito mais rápido do que a marca mudou de estratégia.

Fundada em 1958, em Wichita, por dois irmãos que pegaram US$ 600 emprestados da mãe — e batizada com um nome curto porque a placa só tinha espaço para oito letras —, a Pizza Hut viveu seu auge entre as décadas de 1970 e 1980, quando ainda era sinônimo de ocasião especial em família.

Foi a chegada da Domino’s, com a promessa (hoje banal, mas então revolucionária) de entrega em 30 minutos, que começou a empurrar o modelo “restaurante tradicional” para a irrelevância. O golpe final veio com DoorDash, Uber Eats e companhia: o consumidor não queria mais pizza específica de uma marca — queria conveniência, e qualquer culinária a um toque de distância.

A lição, fora do universo do fast-food, é universal e bem aplicável a qualquer setor — inclusive ao político: não basta ser pioneiro, é preciso continuar relevante.

Quem um dia definiu as regras do jogo pode, décadas depois, ser vendido em pedaços por quem entendeu que o cliente — ou o eleitor — não tem paciência para esperar trinta minutos por algo que já podia ter chegado antes.

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