A nova voz que vem do Oeste

Henrique Mecabô vai se consolidando como uma das mais gratas revelações da política paranaense dos últimos anos.
Economista e cientista político, vice-prefeito de Cascavel e agora candidato a deputado federal pelo NOVO, reúne algo que nem sempre caminha junto na vida pública: juventude, formação sólida e experiência de gestão.
Na última sexta-feira, em Laranjeiras do Sul, teve mais uma oportunidade de mostrar suas credenciais diante de uma plateia que conhece como poucas o peso de produzir riqueza: lideranças de 40 cooperativas do Oeste e Sudoeste do Paraná, reunidas pelo Sistema Ocepar.
Mecabô conhece o terreno sobre o qual fala. Com raízes no agronegócio, colocou o cooperativismo no centro de seu discurso e lembrou que por trás das grandes estruturas cooperativas há milhares de pequenos produtores, empreendedores e famílias que fazem girar a economia do interior.
É justamente aí, segundo ele, que Brasília muitas vezes perde o sinal da realidade: quanto maior a distância de quem produz, mais fácil esquecer quem paga a conta.
O candidato apresentou uma agenda que toca diretamente os nervos do desenvolvimento regional.
Defendeu melhores condições de infraestrutura para o escoamento da produção, conectividade no campo, segurança rural, estabilidade no fornecimento de energia e medidas capazes de criar condições para que as novas gerações continuem enxergando futuro no interior.
Também manifestou apoio ao marco temporal e oposição a invasões de propriedades. Para Mecabô, são batalhas que exigem representação mais afinada com a realidade de quem está na ponta produzindo.
A energia, aliás, ganhou atenção especial. Mecabô considera que as deficiências no fornecimento no interior do Paraná já deixaram de ser apenas um transtorno para se transformar em obstáculo à competitividade.
Em sua avaliação, parte do problema passa por regulamentações federais que precisam ser revistas. Se chegar à Câmara dos Deputados, afirma que essa será uma de suas bandeiras.
O discurso avançou também sobre um terreno mais espinhoso. Mecabô criticou a insegurança jurídica e o que considera a perpetuação, em Brasília, de grupos excessivamente apegados ao poder e aos seus próprios interesses.
Defendeu independência para exercer o mandato e afirmou que pretende atuar também pela redefinição dos limites institucionais do Supremo Tribunal Federal — em suas palavras, é preciso “colocar o STF no seu devido lugar”.
Há políticos que envelhecem sem amadurecer e há jovens que chegam à vida pública carregando uma bagagem maior do que a certidão de nascimento poderia sugerir.
Mecabô parece pertencer ao segundo grupo. Sua passagem pela vice-prefeitura de Cascavel acrescentou experiência prática à formação acadêmica e ao conhecimento de um setor produtivo que conhece bem.
Diante dos cooperativistas, resumiu o espírito com que pretende chegar a Brasília: “Existem lutas importantes e estou preparado”.
Aos 30 anos, tem pela frente a oportunidade de provar que renovação, na política, pode significar mais do que simplesmente trocar a idade de quem ocupa a cadeira.



