Ambiente inóspito

Apesar do desalento gerado por diversas tentativas anteriores que resultaram frustradas e de já existir iniciativa similar mofando há alguns anos nas gavetas do Senado, a recente decisão da Câmara Federal de aprovar a tramitação em regime de urgência do novo projeto para reabertura da polêmica Estrada do Colono reacendeu as esperanças dos líderes políticos e empresariais do Oeste do Paraná que lutam por essa causa há mais de duas décadas.

No entanto, as aparências enganam: o caminho para reativar, mesmo com todas as proteções possíveis, o histórico trecho de 18 quilômetros que corta uma franja do Parque Nacional do Iguaçu entre os municípios de Serranópolis do Iguaçu e Capanema, fechado por determinação judicial em 2001, é longo, tortuoso e repleto de obstáculos praticamente intransponíveis.

São muitas e poderosas não apenas dentro do Congresso Nacional, mas também, e principalmente, fora dele, as forças contrárias à proposta de autoria do deputado paranaense Nelsi Coguetto Maria, mais conhecido como Vermelho.

Arregimentam-se nesse grupo partidos políticos de direita e de esquerda, organizações conservacionistas nacionais e internacionais, entidades públicas e privadas, instituições financeiras, imprensa, Ministério Público e Poder Judiciário.

Incluem-se até aqueles que, em tese, são favoráveis a que se reabra a estrada mediante a adoção das mais rigorosas salvaguardas ecológicas, mas temem que os potenciais danos que a presença humana venha a causar à flora e à fauna da maior reserva de Mata Atlântica ainda incólume no país acabem superando os eventuais benefícios econômicos.

Além do mais, se a ideia já enfrentava uma enorme resistência no passado, ficou ainda mais difícil de prosperar nos tempos atuais face ao acalorado debate mundial que se trava em torno das mudanças climáticas e sua relação com a preservação das florestas.

Não diria que é um sonho impossível, mas é bastante improvável que se concretize.

De qualquer forma, como bandeira política sempre rende bons votos.

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