E segue o baile


Causada por um câncer no cérebro, a morte do publicitário Duda Mendonça repercutiu na imprensa com a lembrança de episódios emblemáticos da corrupção e da impunidade que se entrelaçam na vida pública brasileira.
Um dos mais geniais e bem-sucedidos marqueteiros políticos do país, ele orquestrou a campanha vitoriosa de Lula em 2002, marcada pelo slogan “Lulinha, Paz e Amor”, comandou ao longo dos anos a eleição de candidatos de diferentes partidos em diversos pleitos e atuou também no exterior.
Seus problemas com a justiça começaram no escândalo do Mensalão do PT quando foi denunciado por lavagem de dinheiro e evasão de divisas, mas acabou absolvido em 2012.
Num outro caso, foi indiciado em inquérito que apurou desvio de recursos para a campanha de Ricardo Coutinho ao governo da Paraíba em 2010, que terminou dando em nada.
Apanhado em 2016 nas investigações da Lava Jato, Duda vira réu confesso, firma acordo de delação premiada e revela, com fartas provas documentais, crimes de caixa 2 nas campanhas de Lindbergh Farias, Delcídio do Amaral, Fernando Pimentel, Paulo Skaf e Roseana Sarney, igualmente cometidos em eleições no Chile e na Colômbia, todas financiadas pela Odebrecht.
Nenhum dos envolvidos sofreu até agora qualquer tipo de punição, por mais branda que fosse, e tudo indica que vai ficar por isso mesmo.
Quanto ao baiano Duda, que descanse em paz.



